Oi amigos! Deixo aqui o link para o meu blog de fotografia.
Não sei se todos viram, mas adoraria que vcs dessem uma
olhada. Beijos
http://olharcomalma.blogspot.com/
segunda-feira, 28 de abril de 2008
domingo, 27 de abril de 2008
sexta-feira, 25 de abril de 2008
De la Iturbide
Caros colegas, também quero compartilhar com o grupos umas palavras. São de uma entrevista que Graciela Iturbide concedeu à Revista FotoMundo(Argentina) em Janeiro de 2006. A seguir pergunta e resposta:
" 'Naturata' es un ensayo un poco diferente a los anteriores. Como surgio?"
"Todo surgió porque Toledo, que vive en Oaxaca me dijo 'hay unas plantas interesantes, por que no vienes a fotografiarlas?. Cuando vi las plantas con sus muletas, con sus velos, empecé a verlas como esculturas. El escritor que escribió sobre mis plantas dice que son ortopédicas, pobrecitas.
Hice muchos proyectos con Toledo, tenemos mucha afinidad. Por ejemplo hice un trabajo sobre la matanza de cabras, en la Mixteca, porque él me avisó y editó el librito.
Y este libro de Naturata lo hizo mi galeira Ramón López Quiroga con Alexis Fabry, un francés, pero surgió de repente. Yo iba a Oaxaca cuando recién traina las plantas endémicas de esa región."
" 'Naturata' es un ensayo un poco diferente a los anteriores. Como surgio?"
"Todo surgió porque Toledo, que vive en Oaxaca me dijo 'hay unas plantas interesantes, por que no vienes a fotografiarlas?. Cuando vi las plantas con sus muletas, con sus velos, empecé a verlas como esculturas. El escritor que escribió sobre mis plantas dice que son ortopédicas, pobrecitas.
Hice muchos proyectos con Toledo, tenemos mucha afinidad. Por ejemplo hice un trabajo sobre la matanza de cabras, en la Mixteca, porque él me avisó y editó el librito.
Y este libro de Naturata lo hizo mi galeira Ramón López Quiroga con Alexis Fabry, un francés, pero surgió de repente. Yo iba a Oaxaca cuando recién traina las plantas endémicas de esa región."
quinta-feira, 24 de abril de 2008
"E sem dúvida o nosso tempo... prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... Ele considera que a ilusão é sagrada, e a verdade é profana. E mais: a seus olhos o sagrado aumenta à medida que a verdade decresce e a ilusão cresce, a tal poonto que, para ele, o cúmulo da ilusão fica sendo o cúmulo do sagrado".
(Feuerbach - Prefácio da segunda edição de A essência do cristianismo)
(Feuerbach - Prefácio da segunda edição de A essência do cristianismo)
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Lucian Freud, Francis Bacon e Henry Moore no MON
Henry Moore
Lucian Freud
Francis BaconA exposição traz ao Museu Oscar Niemeyer as obras gráficas de Lucian Freud (1922), Francis Bacon (1909-1992), e Henry Moore (1898-1986), o tema que interliga os três artistas na é o corpo.
A mostra reúne 47 trabalhos, criados entre 1970 e 1990, que integram a coleção de gravuras do Museu de Arte Contemporânea de Caracas.
sábado, 19 de abril de 2008
desculpem pessoal! segue mais uma, agora do Drummond...

Campo de flores
Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus-ou foi talvez o Diabo-deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço,
pois que tenho um amor.
Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.
Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.
Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.
E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.
Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.
Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.
Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.
Carlos Drummond de Andrade
Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus-ou foi talvez o Diabo-deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço,
pois que tenho um amor.
Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.
Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.
Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.
E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.
Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.
Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.
Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Sagrado
"Para além das clivagens entre o bem e o mal, puro e impuro, permitido e interdito, intelectual e sensível, o sagrado é "sublima" no sentido em que o entende Kant na Crítica do Juízo "um curto circuito entre a sensibilidade e a razão, em detrimento do entendimento e do conhecimento".Um golpe desferido entre pela sensibilidade na inteligência.É a envolvente sensação de absoluto diante de uma paisagem de montanha, mar,pôr-de-sol,uma tempestade noturna na África...Então sim, o sagrado autoriza o desfalecimento, o desmaio do sujeito, a síncope, a vertigem, o transe, o êxtase, o "acima do teto", o muito azul".
(Catherine Clément e Julia Kristeva)
livro O Sagrado e o feminino
(Catherine Clément e Julia Kristeva)
livro O Sagrado e o feminino
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Conto: AMOR
"Eu me abismo, eu sucumbo..."
Falando no abismo... segue mais fragmentos de um discurso amoroso, p. 3
"ABISMAR-SE. Onda de aniquilamento que sobrevém ao sujeito amoroso por desespero ou plenitude.
Seja mágoa, seja felicidade, toma-me às vezes o desejo de me abismar. A manhã (no campo) está cinzenta e fresca. Sofro (de não sei que incidente). Uma idéia de suicídio se apresenta, pura de todo ressentimento (nenhuma chantagem contra ninguém); é uma idéia insípida; não rompe nada (com o silencio, com o abandono) desta manhã.
Um outro dia, debaixo de chuva, esperamos o barco na beira de um lago; de felicidade, desta vez, a mesma onda de aniquilamento me vem. Assim, às vezes, a desgraça ou a alegria assaltam-me, sem que sobrevenha nenhum tumulto: nenhum pathos mais: estou dissolvido, não despedaçado; caio, esvaio-me, derreto. Esse pensamento levemente tocado, pode voltar. Nada tem de solene. Isso é muito exatamente a suavidade.
A onda de abismo pode vir de uma mágoa, mas também de uma fusão: morremos juntos de nos amar: morte aberta, por diluição no éter, morte enclausurada da tumba comum.
O abismo é um momento de hipnose. Uma sugestão age, que me ordena desmaiar sem me matar. Daí, talvez, a suavidade do abismo: não tenho nenhuma responsabilidade nisso, o ato (de morrer não cabe a mim: confio-me, transfiro-me (a quem a Deus, à Natureza, a tudo, menos ao outro).
Quando assim me acontece de abismar-me, porque já não há lugar para mim em parte alguma, nem mesmo na morte. A imagem do outro – à qual eu me colava, da qual vivia – já não existe; ora é uma catástrofe (fútil) que parece afastá-la para sempre, ora é uma felicidade excessiva que me faz alcançá-la; de qualquer modo, separado ou dissolvido, não sou recolhido em parte alguma; na frente, nem eu, nem você, nem morte, mais nada a quem falar.
(Estranhamente, é no ato extremo do Imaginário amoroso – aniquilar-se por ter sido expulso da imagem ou nela ter-se confundido – que se consuma uma queda deste Imaginário: no tempo breve de um vacilar, perco minha estrutura de amante: é um luto factício, sem trabalho: algo como uma impronúncia.)
...
O abismo não passaria de uma aniquilamento oportuno? Não me seria difícil nele ler não um repouso, mas uma emoção. Mascaro meu luto sob uma fuga; diluo-me, desvaneço-me para escapar a esta compacidade, a esta saturação que faz de um sujeito responsável: saio: é o êxtase."
Roland Barthes
"ABISMAR-SE. Onda de aniquilamento que sobrevém ao sujeito amoroso por desespero ou plenitude.
Seja mágoa, seja felicidade, toma-me às vezes o desejo de me abismar. A manhã (no campo) está cinzenta e fresca. Sofro (de não sei que incidente). Uma idéia de suicídio se apresenta, pura de todo ressentimento (nenhuma chantagem contra ninguém); é uma idéia insípida; não rompe nada (com o silencio, com o abandono) desta manhã.
Um outro dia, debaixo de chuva, esperamos o barco na beira de um lago; de felicidade, desta vez, a mesma onda de aniquilamento me vem. Assim, às vezes, a desgraça ou a alegria assaltam-me, sem que sobrevenha nenhum tumulto: nenhum pathos mais: estou dissolvido, não despedaçado; caio, esvaio-me, derreto. Esse pensamento levemente tocado, pode voltar. Nada tem de solene. Isso é muito exatamente a suavidade.
A onda de abismo pode vir de uma mágoa, mas também de uma fusão: morremos juntos de nos amar: morte aberta, por diluição no éter, morte enclausurada da tumba comum.
O abismo é um momento de hipnose. Uma sugestão age, que me ordena desmaiar sem me matar. Daí, talvez, a suavidade do abismo: não tenho nenhuma responsabilidade nisso, o ato (de morrer não cabe a mim: confio-me, transfiro-me (a quem a Deus, à Natureza, a tudo, menos ao outro).
Quando assim me acontece de abismar-me, porque já não há lugar para mim em parte alguma, nem mesmo na morte. A imagem do outro – à qual eu me colava, da qual vivia – já não existe; ora é uma catástrofe (fútil) que parece afastá-la para sempre, ora é uma felicidade excessiva que me faz alcançá-la; de qualquer modo, separado ou dissolvido, não sou recolhido em parte alguma; na frente, nem eu, nem você, nem morte, mais nada a quem falar.
(Estranhamente, é no ato extremo do Imaginário amoroso – aniquilar-se por ter sido expulso da imagem ou nela ter-se confundido – que se consuma uma queda deste Imaginário: no tempo breve de um vacilar, perco minha estrutura de amante: é um luto factício, sem trabalho: algo como uma impronúncia.)
...
O abismo não passaria de uma aniquilamento oportuno? Não me seria difícil nele ler não um repouso, mas uma emoção. Mascaro meu luto sob uma fuga; diluo-me, desvaneço-me para escapar a esta compacidade, a esta saturação que faz de um sujeito responsável: saio: é o êxtase."
Roland Barthes
domingo, 6 de abril de 2008
"Quero entender"
Fragmentos de um discurso amoroso, p. 139...
O que eu acho do amor? - Em suma, não acho nada. Bem gostaria de saber o que é, mas, estando em seu interior, vejo-o em existência, não em essência. Aquilo que quero conhecer (o amor) é a matéria mesma que uso para falar (o discurso amoroso). A reflexão me é decerto permitida, mas, como essa reflexão é imediatamente apanhada na roda-viva das imagens, nunca redunda em reflexividade: excluído da lógica (que supõe linguagens exteriores umas às outras), não posso pretender bem pensar. Assim, mesmo que eu discorresse sobre o amor alo longo de todo um ano poderia apenas esperar apanhar-lhe o conceito "pelo rabo": por flashes, fórmulas, surpresas de expressão, dispersos através do grande fluxo do Imaginário, estou no lugar errado do amor, que é seu lugar deslumbrante: "O lugar mais escuro, diz um provérbio chinês, é sempre debaixo da lâmpada."
O que eu acho do amor? - Em suma, não acho nada. Bem gostaria de saber o que é, mas, estando em seu interior, vejo-o em existência, não em essência. Aquilo que quero conhecer (o amor) é a matéria mesma que uso para falar (o discurso amoroso). A reflexão me é decerto permitida, mas, como essa reflexão é imediatamente apanhada na roda-viva das imagens, nunca redunda em reflexividade: excluído da lógica (que supõe linguagens exteriores umas às outras), não posso pretender bem pensar. Assim, mesmo que eu discorresse sobre o amor alo longo de todo um ano poderia apenas esperar apanhar-lhe o conceito "pelo rabo": por flashes, fórmulas, surpresas de expressão, dispersos através do grande fluxo do Imaginário, estou no lugar errado do amor, que é seu lugar deslumbrante: "O lugar mais escuro, diz um provérbio chinês, é sempre debaixo da lâmpada."
Roland Barthes
Auto-retrato – Corpo – Fotografia
A fotografia para mim é um espaço imaginário onde posso me lançar em um abismo de incertezas, em uma vastidão de possibilidades, se eu trabalhar bastante e me permitir ser olhada pelas imagens
posso (re)descobrir minha sensibilidade subjetiva e esta (re)descoberta é solitária.
Sentir-me só no processo de criação é palpar o meu íntimo, eu sou sincera comigo mesma, não quero um outro dizendo quem sou, quero um outro explorando possibilidades de ser, nada definido, é um auto-retrato de quem faz ou de quem vê?
Depois da obra pronta, a angústia e a necessidade latente voltarão, a imagem será uma imagem e no meu corpo repercutirá a vontade de me lançar de novo ao abismo.
posso (re)descobrir minha sensibilidade subjetiva e esta (re)descoberta é solitária.
Sentir-me só no processo de criação é palpar o meu íntimo, eu sou sincera comigo mesma, não quero um outro dizendo quem sou, quero um outro explorando possibilidades de ser, nada definido, é um auto-retrato de quem faz ou de quem vê?
Depois da obra pronta, a angústia e a necessidade latente voltarão, a imagem será uma imagem e no meu corpo repercutirá a vontade de me lançar de novo ao abismo.
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